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Literatura 18 

O TRAP COMO SEMIÓTICA CULTURAL DA CIDADE DE SÃO PAULO

  • Foto do escritor: Alexandre Paiva
    Alexandre Paiva
  • 20 de nov. de 2019
  • 3 min de leitura

O criador e impulsionador foi o estoniano Yuri Lotman Lotman (2000) define cultura como um sistema perceptível de textos, enquanto linguagem, organizados por associações e representados por signos linguísticos: índices, símbolos e ícones, que constituem a nossa linguagem. O homem, como ser cultural, comunica-se por meio desses signos, que, por sua vez, acabam funcionando como controladores da humanidade, a partir do que Jean Baudrillard (1981) denomina simulacro, ou seja, o signo prevalece sobre o significado.


Os códigos da cultura se estabelecem a partir de associações sígnicas e são definidos como sistemas semióticos. Lotman (2000) afirmava que todo código é um sistema modelizante, uma forma de organização da informação e seu desenvolvimento. O conceito de semiosfera, criado por Lotman, tem como base a realidade sígnica humana, trata-se da possibilidade da criação simbólica, que supera a sua realidade biológica.


Para o semioticista, a cultura é formada por uma realidade simbólica própria, onde o próprio texto (poesia, peça de teatro, roteiro cinematográfico) é um signo representativo da linguagem e fonte da simbolização e formação social da cultura, uma vez que tem suas próprias regras, portanto forma própria que é modelizante e capaz de criar uma semiosfera, um universo próprio daquela cultura, que tem um tipo de código próprio que cria uma linguagem específica dentro do contexto daquela arte.

Assim teatro, cinema, ortografia, dança, música, tem seus próprios códigos culturais, a sua própria linguagem que gera todo um sentido na sua semiosfera, seu mundo único. O conceito de semiosfera relaciona-se à ideia de fronteira, se refere à relação entre o que está dentro e o que está fora do espaço semiótico. A semiosfera é um espaço entre as linguagens, que permite reagrupar e resignificar os sistemas de signos. Com isso em mente, podemos citar a cidade cidade de São Paulo como um dos mais imensos centros culturais não só da América Latina, mas do mundo. Aqui se encontram raízes não são só nacionais, como também de outros oceanos. Um dos movimentos que vem ganhando nome, dentre os vários que predominam entre os “millenniuns”, é o Trap.

Graves pesados, batidas eletrônicas e rápidas, (muitas) onomatopeias e influências dos mais variados temas — isso é um pouco do que é o trap, gênero musical derivado do rap que ganha cada vez mais espaço no trabalho de artistas espalhados por todo o mundo. Além de músicos dedicados quase que exclusivamente ritmo, o estilo musical também mostra seus traços em canções de rappers atuais, principalmente internacionais. Nascido em meados dos anos 1990, nos EUA, o trap é filho de guetos formados a partir da gentrificação da população mais pobre da cidade de Atlanta, na Georgia. Por conta dos Jogos Olímpicos de Verão de 1996, essas pessoas foram removidas de suas moradias e sofreram grande repressão policial, o que, aos poucos, contribuiu para o surgimento das "trap houses" ("casas-armadilhas", em tradução livre). Esses locais serviam não só como boate e ambiente para venda e consumo de drogas, mas também como palco para apresentações e experimentações de novos artistas. Mais afastado do contexto inicial e, agora, cercado por rios de dinheiro, o trap tem participado em peso de composições de grandes nomes da indústria musical. No Brasil, há alguns nomes em ascensão, como Matuê, Raffa Moreira e Luccas Carlos, que transmitem a ideia de “YOLO”, ou “You Only Live Once”, (você vive apenas uma vez). O Trap tem influenciado a maneira como os brasileiros escutam suas músicas e até mesmo o jeito que se vestem, já que é um estilo que também é contemplado por inúmeras propagandas de marcas de grife. É um movimento não só musical, mas também cultural que cresce cada vez mais.


Texto por Jorge Arruda

 
 
 

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