Cancioneiro - Por Larissa Campos
- Alexandre Paiva
- 22 de abr. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de mai. de 2018
A morte chega cedo
A morte chega cedo, Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.
Analise:
Estrutura externa:
Poema:
São 3 quadras (4 versos em cada estrofe), a linguagem poética é simples. Os primeiros quatro versos são sublimes, realmente a vida é brutalmente breve e cada vão instante nada é perante a eternidade, retrata impotência, injustiça da morte. Não importa quando, a morte sempre chega cedo. Nunca é hora de morrer. Sempre existe a sensação de que não se fez tudo o que se tinha para fazer, não se alcançou o que devia alcançar.
A vida é sempre um desejo, é sempre um 'livro aberto' em que queremos continuar escrevendo nossa história.
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Analise:
O poema é composto por três estrofes, com 4 versos (quartetos) que apresentam rima cruzada, sendo que o primeiro verso rima com o terceiro e o segundo rima com o quarto.
Na primeira estrofe é possível verificar a existência de uma metáfora que classifica o poeta como um fingidor. Isso não significa que o que o poeta é um mentiroso ou alguém dissimulado, mas que ele é capaz de se transformar nos próprios sentimentos que estão dentro dele, e por essa razão consegue se expressar de maneira única.
Vemos na segunda estrofe que a capacidade do poeta de expressar certos sentimentos é desperta sentimentos no leitor. Apesar disso, o que o leitor sente não é a dor (ou a emoção) que o poeta sentiu nem a que ele "fingiu", mas a dor que é derivada da interpretação da leitura do poema.
Na terceira e última estrofe, o coração é descrito como um comboio (trem) de corda, que gira e que tem a função de distrair ou divertir a razão. Vemos neste caso a dicotomia emoção/razão que faz parte do cotidiano do poeta. Podemos então concluir que o poeta usa o seu intelecto para transformar o sentimento que ele viveu.
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