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Literatura 18 

Cancioneiro - Por Larissa Campos

  • Foto do escritor: Alexandre Paiva
    Alexandre Paiva
  • 22 de abr. de 2018
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de mai. de 2018


Acervo Google Image Search "Fernando Pessoa"

A morte chega cedo


A morte chega cedo, Pois breve é toda vida

O instante é o arremedo

De uma coisa perdida.

O amor foi começado,

O ideal não acabou,

E quem tenha alcançado

Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte

Risca por não estar certo

No caderno da sorte

Que Deus deixou aberto.


Analise:


Estrutura externa: 

Poema:

São 3 quadras (4 versos em cada estrofe), a linguagem poética é simples. Os primeiros quatro versos são sublimes, realmente a vida é brutalmente breve e cada vão instante nada é perante a eternidade, retrata impotência, injustiça da morte. Não importa quando, a morte sempre chega cedo. Nunca é hora de morrer. Sempre existe a sensação de que não se fez tudo o que se tinha para fazer, não se alcançou o que devia alcançar.

A vida é sempre um desejo, é sempre um 'livro aberto' em que queremos continuar escrevendo nossa história.


Autopsicografia


O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.


Analise:

O poema é composto por três estrofes, com 4 versos (quartetos) que apresentam rima cruzada, sendo que o primeiro verso rima com o terceiro e o segundo rima com o quarto.


Na primeira estrofe é possível verificar a existência de uma metáfora que classifica o poeta como um fingidor. Isso não significa que o que o poeta é um mentiroso ou alguém dissimulado, mas que ele é capaz de se transformar nos próprios sentimentos que estão dentro dele, e por essa razão consegue se expressar de maneira única.

Vemos na segunda estrofe que a capacidade do poeta de expressar certos sentimentos é desperta sentimentos no leitor. Apesar disso, o que o leitor sente não é a dor (ou a emoção) que o poeta sentiu nem a que ele "fingiu", mas a dor que é derivada da interpretação da leitura do poema.

Na terceira e última estrofe, o coração é descrito como um comboio (trem) de corda, que gira e que tem a função de distrair ou divertir a razão. Vemos neste caso a dicotomia emoção/razão que faz parte do cotidiano do poeta. Podemos então concluir que o poeta usa o seu intelecto para transformar o sentimento que ele viveu.


 
 
 

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